No ambiente empresarial, manter relações com entes públicos é muitas vezes essencial para o desenvolvimento de negócios, especialmente em setores regulados, licitações e parcerias público-privadas. No entanto, é fundamental compreender os limites legais dessas interações para evitar que práticas comuns sejam interpretadas como corrupção.
Corrupção privada: muito além do suborno clássico
Ao contrário do que muitos pensam, corrupção no setor privado não se restringe a oferecer “dinheiro por fora” para obter vantagens indevidas. De acordo com estudos recentes da ONU, a corrupção empresarial pode incluir uma ampla gama de condutas, como:
- Presentes e hospitalidade excessivos para influenciar decisões;
- Doações políticas feitas com expectativa de retorno indevido;
- Uso de intermediários para ocultar práticas ilegais;
- Troca de favores e informações privilegiadas;
- Nepotismo, clientelismo ou favorecimento injustificado.
Essas práticas, quando não acompanhadas de políticas éticas claras e critérios objetivos, podem configurar infrações administrativas ou mesmo crimes, tanto para a empresa quanto para seus gestores.
A linha tênue entre legalidade e corrupção
O desafio está em reconhecer os limites entre a legalidade e o ilícito. Por exemplo, um convite para um evento ou um almoço corporativo não configura, por si só, uma ilegalidade. No entanto, quando tais atos se tornam frequentes, excessivos ou estão vinculados a decisões de interesse público, podem ser interpretados como tentativa de influência indevida.
No Brasil, a Lei Anticorrupção (Lei nº 12.846/2013) estabelece que a empresa pode ser responsabilizada objetivamente por atos lesivos à administração pública, inclusive quando praticados por terceiros em seu nome.
Quais são as consequências?
Empresas envolvidas em práticas de corrupção enfrentam sérias sanções:
- Multas milionárias com base no faturamento bruto;
- Exclusão de licitações e contratos públicos;
- Perda de reputação e desconfiança do mercado;
- Responsabilização criminal de dirigentes e colaboradores.
Além disso, acordos de leniência e investigações públicas têm revelado a fragilidade de estruturas internas de controle, tornando essencial a adoção de mecanismos de integridade.
Como prevenir riscos legais?
Para manter relações transparentes com o poder público, a empresa deve adotar uma postura proativa de integridade e conformidade, por meio de:
- Códigos de ética claros e amplamente divulgados;
- Treinamento contínuo de líderes e colaboradores sobre práticas anticorrupção;
- Due diligence rigorosa na escolha de parceiros e intermediários;
- Canais de denúncia seguros e independentes;
- Auditorias internas e externas frequentes.
Conclusão
A corrupção no setor privado representa um risco estratégico, jurídico e reputacional. Na dúvida, a melhor política é a transparência. Empresas que cultivam uma cultura de integridade e adotam boas práticas não apenas evitam penalidades, como também ganham competitividade e confiança no mercado.
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